NO FAROL VELHO – EM SALINAS
Baiacool Jazz Festival chega à oitava edição e traz oito shows, dois deles inéditos
A organização do evento anuncia a programação e aproveita para dizer que,em breve, Belém também terá seu próprio festival, o Rain Forest Jazz Festival
O Baiacool Jazz Festival abre nesta sexta-feira, 23, na Praia do Farol em Salinas, litoral do salgado paraense, indo até dia 25, sempre das 17h ás 22h. O evento chega a sua oitava edição consecutiva, um tempo recorde de duração para uma iniciativa independente no Pará.
Com realização da Zoe Agência de Música, comandada pelo contrabaixista e jazzista Minni Paulo Medeiros, o evento traz música instrumental de qualidade, com entrada 100% gratuita, para o verão paraense.
“É sempre com muita correria e dificuldade que o realizamos, tentando convencer patrocinadores e apoiadores a apostar na ideia de trazer música de qualidade e de fácil acesso ao público de todas as classes sociais e faixas etárias, e que promove o intercâmbio entre artistas daqui e de fora do estado. Além disso, o Baiacool prepara um público e forma plateia para a música instrumental no Estado do Pará”, diz Paula Medeiros, da produção do festival.
Este ano, apostaram no Baiacool Jazz Festival o patrocinador SESC PA, e os apoiadores Secult-PA, Fundação Tancredo Neves, Governo do Pará e Jungle Interativa. Estão programados oito shows, em três dias seguidos, sendo duas atrações inteiramente inéditas e tendo como ponto alto a apresentação de toda uma nova geração de grupos instrumentais locais, que surgiram na cidade.
O pianista e compositor Jeff Gardner, que já participou de outras edições, marcará presença trazendo de suas influências, que passam pelo clássico, jazz e, principalmente, pela música brasileira. Jeff nasceu em Nova Yorque e estudou com nomes lendários do universo jazzístico, entre eles, John Lewis, Don Friedman, Jaki Byard além de Nadia Boulanger (música erudita).
O contrabaixista paulista Ximba Uchyama se apresenta pela primeira vez. Com mais de 20 anos de carreira, autodidata no instrumento, tem influências de música brasileira e jazz. Victor Biglione também está estreando no festival. O guitarrista argentino mora no Brasil. Ele, que já foi integrante do conjunto A Cor do Som no início da década de 80, mais tarde tocou ao lado de Ivan Lins, Emílio Santiago, Marcos Valle, Marina, Fátima Guedes, Sergio Mendes, Gal Costa e Wagner Tiso.
Além deles, estão no Baiacool Jazz Festival 2010, o grupo Jazz & Pop; a cantora austríaca Larissa Wright & Cumbuca Jazz, Tony Blues, Adelbert Carneiro, a Jungle Band e o Beach Blues Trio, formado por Minni Paulo (contrabaixo), Marcus Magrus (bateria) e Mark Lambert (guitarra).
Em oito anos de estrada, o Biaacool Jazz Festival, primeiro festival de jazz da Amazônia, mostra seus resultados. Depois de seu surgimento, aconteceram outros eventos, shows, grupos e até programas de rádio e TV focados na música instrumental.
“Isso é gratificante pra gente, ver músicos trocando ideias, contatos, conhecimentos e mudando sua visão, quanto a seriedade da profissão de músico e a possibilidade de ampliar seus horizontes”, acrescenta Paula.
Trajetória do festival - O Baiacool Jazz Festival é resultado de uma semente plantada pelo Minni Paulo, ainda nos anos 80, quando ele formou a primeira banda de música instrumental paraense a “Sociedade Marginal” e nunca mais desistiu de investir neste segmento que na opinião de muitos não criaria raízes em Belém.
Depois da primeira edição em 2003, em Salinas, o Baiacool aconteceu por duas vezes seguidas, também em Belém, em 2005 e 2006. Mas a organização do festival chegou ã conclusão de que o formato desse evento era mesmo feito para acontecer na praia e o festival de Belém não foi mais realizado.
“Acontece que o Baiacool foi idealizado pra ser feito em Salinas, no verão, na praia, todo esse ambiente era necessário pra fazer dele o que é hoje, mesmo assim o levamos para capital e fizemos dois grandes festivais em Belém. Foi depois dessa experiência, que percebemos tudo. O Baiacool é um festival pioneiro e independente, um festival de verão, desencanado”, explica Paula.
Paula Medeiros, filha de Minni Paulo atua com o pai desde a primeira edição do festival. Morando em Paris, na França, ela está em Salinas ã frente da organização. De acordo com ela, Belém não vai ficar sem um festival de jazz à altura do que acontece em Salinas, ficará melhor e com atrações internacionais.
“Depois da minha ida para a França pra estudar Gestão Cultural, a ideia de trazer grupos europeus pra um festival de jazz foi se tornando cada vez mais possível, e hoje, trabalhando aqui em uma produtora independente em parceria com meu pai e lá, em uma produtora parisiense, surgiu a ideia de fazer um festival internacional de jazz, com apresentações em Duo, e piano, provocando uma cena mais jazzística, trazendo para a Amazônia, os grandes nomes que passam nos festivais de jazz europeus”, anuncia.
Novidade para Belém - O projeto, de fato, já está sendo gerado e se chamará Rain Forest Jazz Festival, evento com forte apelo sócio-ambiental, que vai colocar a Amazônia como um dos pontos obrigatórios de passagem da vanguarda do jazz internacional, tendo Belém como a principal cidade a receber o evento.
Mas o Baiacool Jazz Festival não acabará, no entanto, com o nascimento do novo projeto, ele torna-se essencialmente, um festival de praia, mais aberto a outros estilos com um novo formato, mantendo a excelente qualidade e a entrada livre.
Minni Paulo - Após a realização do Baiacool Jazz Festival, Minni Paulo vai para a Europa, para, entre outras coisas lançar o CD Voar, que começará a ser gravado em setembro.
“Vou passar dois anos fora, me dividindo nove meses na Europa e três no Brasil e, ao mesmo tempo, já trabalhando também para realizar o Rain Forest Jazz Festival de 2011”, diz Minni.
Contrabaixista, compositor, arranjador e produtor da “Zoe Agencia de Musica”, Minni Paulo criou o “Baiacool Jazz Festival”, o primeiro festival de Jazz da Amazônia, cuja primeira edição se deu em 2003.
De formação autodidata, Minni Paulo começou carreira na década de setenta, fundando junto com os amigos o Grupo “Sol do Meio do Dia”, que tinha como proposta o experimentalismo tanto rítmico como poético.
Na década de 70, chegou a compor a banda de John Alf, época em que fixou residência em São Paulo e onde passou a tocar com outros artistas da noite, obtendo a experiência e o amadurecimento que lhe trazem o reconhecimento de hoje.
Nos anos 80, tocou com Zezé Mota, e por isso foi morar no Rio de Janeiro. Iniciou ali a nova jornada do músico, que passou a trabalhar com outros cantores do mundo artístico nacional, fazendo turnês por todo o Brasil, países da América do Sul e Europa.
Ao retornar para Belém, deu continuidade ao trabalho de música instrumental com a banda “Sociedade Marginal” e iniciou finalmente sua carreira solo.
No início dos anos 90, o talento logo o levou de volta à França, onde se estabeleceu em Paris e começou nova jornada de trabalho, que o permitia passar alguns meses no Brasil, vivendo assim durante seis anos.
De volta ao Pará, em 1997, faz uma pesquisa que resulta no seu primeiro CD, o excelente e raríssimo “Floresta das Chuvas”, gravado no Rio de Janeiro. O disco lhe rendeu vários elogios da crítica nacional.
Depois de outras turnês e concertos pelo Brasil e Europa, gravou o Cd “Anfíbio”, junto com o cantor Rafael Lima, com quem em 2000 também gravou “So What”, isso na Suíça. Em seguida voltou ao Brasil, fixando-se em Belém, e dando início ao projeto que resultou no Baiacool Jazz Festival.
Desde então, tem trazido para Belém e Salinas, tipos como Hermeto Pascoal, o grupo Cama de Gato, Toninho Horta, Paulo Levy & Nika, o Pata de Elefante e Leo Gandelman.
Serviço
Baiacool Jazz Festival. De 23 a 25 de julho, sempre a partir das 17h, com três grandes shows de música instrumental de artistas locais e nacionais, por dia. Em Salinas, na Praia do Farol Velho. Este ano, o Baiacool Jazz Festival tem patrocínio do SESC PA e apoio do Programa Bacana, Secult-PA, Fundação Tancredo Neves, Governo do Pará e Jungle Interativa. Contatos: 91 8134.7719 (imprensa) e 91 8228. 2293 (produção).
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